Reflexões sobre carreira, posicionamento e entrega de valor.
Na última semana, enquanto aguardava meu voo de volta para casa, em uma sala VIP lotada, pensei em como, há alguns anos, este lugar era sinônimo de status, exclusividade e privilégio, e hoje é o mínimo que você espera do seu Cartão de Crédito.
E isso não acontece só nos aeroportos.
No mercado, eu vejo o mesmo movimento: MBAs, fluência em inglês, presença em eventos de inovação, domínio de ferramentas digitais… tudo isso já foi diferencial. Hoje, é o mínimo esperado.
O que mudou? O que era diferencial se tornou critério básico para entrar em campo. E a pergunta que me instigou enquanto eu estava no aeroporto foi:
O que diferencia um profissional realmente capaz de se destacar?
A sala VIP pode simbolizar aquele momento da carreira em que você já conquistou acesso, reconhecimento, influência. Está confortável. Mas também corre o risco de cair na armadilha do status passivo: estar em um ambiente de prestígio sem necessariamente gerar impacto com sua presença, sem colocar seus talentos a serviço, sem criar novas possibilidades, sem se posicionar quando deveria.
Não é a toa que Richard Barrett considera Status e Imagem como valores potencialmente limitantes, que não contribuem com nossa evolução.
É como se, depois de conquistar o crachá que abre portas, nos acomodássemos por já estar onde sonhamos chegar um dia.
E esquecemos que, na verdade, a sala VIP é apenas o lugar onde descansamos ou aguardamos o próximo voo, ela efetivamente não nos leva para lugar nenhum. Precisamos saber diferenciar a posição que merecemos ocupar hoje, daquela que desejamos alcançar, como destino.
No mundo de tantos acessos a tudo, sabedoria é conseguir aproveitar o lugar que conquistamos para ampliar a nossa visão. E a partir de um autoconhecimento profundo, compreender como poderemos continuar agregando valor onde estivermos.
O que eu percebo, é que temos no mercado abundância de profissionais com credenciais, mas escassez por autenticidade.
E você pode ver isso aqui no Linkedin, através dos inúmeros artigos escritos a partir de prompts rasos. Ou no Instagran, com os convites para participar de clubes de Networking por R$20.000,00 em que pessoas se endividam pelo direito de participar e conviver com outros possíveis endividados.
O fato é que o mercado está cada vez mais competitivo para profissionais e empresas que já tem a reputação conquistada, e tem como desafio ,se manter relevante no mercado.
Se você já está em uma posição estratégica, talvez seja hora de ir além da velha análise SWOT. Não é mais suficiente apenas analisar as suas forças e fraquezas , ou oportunidades e ameaças que o momento oferece.
Que tal pensar a sua carreira, sob o ponto de vista de licenças estratégicas?
Penso que essa metodologia recomendada pela StartSe para gestão e planejamento de negócios, pode contribuir também para avaliar seus ativos profissionais, nestes três níveis:
- Licença para operar: Essa é a base. Provavelmente você já fez a lição de casa e tem o mínimo necessário para entrar em cena e ser eficiente no que faz: um bom currículo, suas conexões, sua marca pessoal.
- Licença para competir: Nenhum executivo cresce na carreira se não for autocrítico na medida certa. Tenha autoavaliação como estratégia contínua de aperfeiçoamento, mas peça feedbacks para avaliar como você continua tendo um diferencial capaz de entregar resultados. Só consegue estar em campo competindo quem busca se aprimorar, indo além a cada entrega, atuando com consistência, e desenvolvendo habilidades que sejam relevantes, em momentos críticos.
- Licença para vencer: é exatamente neste ponto, que habita o espaço mais raro e precioso da trajetória profissional: o que só você pode entregar, do seu jeito, com a sua verdade. Essa licença não se conquista com currículo. Ela se manifesta quando presença, clareza e consistência se transformam em legado. Envolve um autoconhecimento com consciência, ou seja, uma capacidade de se perceber em contexto e fazer ajustes com sabedoria, para entregar o que o mercado precisa hoje, para competir com profissionais que se prepararam para chegar até aqui, com mais ferramentas que você tinha quando iniciou sua trajetória.
Estar na sala VIP pode representar a licença para competir . Mas vencer exige bem mais que entrar em campo: exige preparo e entrega substantiva e recorrente.
O jogo é interno: não é onde você está, é como você se move. E a maturidade profissional se expressa quando deixamos de correr atrás apenas de mais acessos — e começamos a escolher com consciência o impacto que queremos promover.
A sua posição hoje é visível. Você consegue ver com a mesma clareza que vê a sua cadeira, o impacto coletivo, que promove? Manter a Licença para Vencer atualizada exige pausas intencionais para recalibrar presença, contribuição e coerência.
Vou te propor aqui um exercício. Reserve um tempo este fim de semana para responder estas 4 perguntas e avaliar, se sua licença está vencida e que talentos seus, únicos, você precisa direcionar melhor para renovar sua Licença para Vencer.
- Você reconhece quando precisa mudar sua estratégia de entrega?
- Sabe o que te tira do eixo — e o que te devolve para ele?
- Identifica as dinâmicas ao seu redor que precisam da sua maturidade, não da sua resposta automática?
- Minha entrega tem potência própria ou depende de contexto para parecer relevante?
Para que você possa se diferenciar , operando com propósito, autenticidade e sendo capaz de gerar valor em ambientes complexos.
A verdadeira vantagem competitiva está em transformar suas habilidades naturais em ativos estratégicos a serviço de algo maior: sua reputação, seu legado e sua capacidade de gerar impacto.
É preciso revisar:
1) Onde você investe sua energia, que contribui efetivamente com o seu crescimento?
2) Que força sua está realmente em circulação para que todos possam continuar avançando com a sua contribuição relevante?
3) Com quem você escolhe construir, e qual impacto sua presença ainda provoca? Você está cercado de pares e conversas que te desafiam, ou de eco e repetição?
Porque, no topo, não é o acúmulo que diferencia — é a consciência do que continua vivo na sua entrega. Quando o acesso muda, o diferencial é reconhecer que trajetória não garante permanência.
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