Será que o Problema é mesmo da Geração Z?

Eu confesso que ando um pouco sem paciência para pessoas que insistem em rotular gerações mais jovens de problemáticas. (Essa minha impaciência pode ser sinal de que estou envelhecendo, e minha preguiça de argumentar com quem ama julgar e rotular, pode ser sinal de sabedoria)

Provavelmente a minha busca constante por aprender e conhecer as pessoas em profundidade, seja um fator determinante para o incômodo que sinto com este hábito cultural de criticar no lugar de manter a mente aberta para se questionar, se reciclar  e repensar padrões de comportamento em tempos de rótulos rápidos e conclusões precipitadas, especialmente ao falar sobre a Geração Z.

Frequentemente descritos como “problemáticos” e apenas interessados em acelerar seu crescimento, minha experiência com esses jovens tem sido enriquecedora e inspiradora, revelando uma geração que tem um desejo de aprender com quem admiram e  fazer a diferença com o seu trabalho.

E o fato é que se desejamos cultivar uma cultura de colaboração e inovação, precisamos de uma vez por todas deixar de lado os preconceitos e padrões de comportamento ultrapassados para realmente ver e escutar quem está conosco com genuíno respeito e empatia.

Engajamento e Empreendedorismo

Durante eventos nos quais participo, sou frequentemente abordada por jovens que me apresentam suas ideias com brilho nos olhos e um entusiasmo contagiante. Jovens que demonstram uma seriedade impressionante, mesclando criatividade com uma busca por fundamentação em planejamento e execução. Esses jovens não apenas querem “chegar lá”, eles querem construir o caminho, passo a passo.

E é lindo ver a disponibilidade para aprender e se conectarem com pessoas experientes que estejam disponíveis para contribuir. Vou apresentar alguns exemplos recentes , entre vários outros que acompanho de perto e de longe também.

No  Peopletech Summit,  antes de subir ao palco para participar de um Painel sobre Engajamento, Erick Kopak Bonfim e Isabel Lyssa , dois jovens  que investiram tempo  e dinheiro em uma viagem para participar do evento presencial (mesmo sabendo que poderiam participar de forma online e gratuita), me procuraram, vieram ao meu encontro no intervalo, para me questionar sobre as dificuldades que empresas tem com a Geração Z porque eles estavam desenvolvendo uma ferramenta de IA para contribuir com líderes e RH.

Tivemos uma conversa rápida, porém instigante, que contribuiu para validar mais uma vez o meu posicionamento contra rótulos geracionais. Depois desse dia, eles se empenharam para não deixar o contato esfriar, se conectaram comigo, estão acompanhando meus movimentos, e não desistiram até que conseguimos marcar uma reunião, que aconteceu ontem. E foi muito bonito ver o desejo deles de escutar quem tem experiência.

Minha motivação é tão grande em contribuir com quem está iniciando sua trajetória, que após um convite que aconteceu em março, para falar sobre Empreendedorismo Feminino com alunas da UFSC decidi voltar à Universidade para contribuir com  jovens gestores da EJEM – Empresa Júnior de Engenharia de Materiais .

Até porque eu acredito que  não há espaço mais fértil para semear e cultivar valores que possam contribuir com um futuro de colaboração entre gerações, do que dentro das universidades.

Muitas ideias são semeadas neste ambiente, e reconheço a importância de estarmos atentos e presentes, para que possamos viver uma cultura em que a diversidade de inteligências, experiências e conhecimentos seja reconhecida como realmente a mais relevante.

A Responsabilidade Coletiva de Apoiar Jovens Empreendedores

Como adultos sabemos que no início da nossa trajetória profissional,  muitas crenças são estabelecidas, influenciadas pelas pessoas com quem convivemos, pelos locais em que estudamos e trabalhamos.

E por isso iniciei um movimento de buscar apoio de executivos e empresários de minha rede de relacionamentos para que possam unir forças comigo para apoiar esses jovens.

O primeiro a aceitar o meu convite foi Geraldo Gontijo , e essa experiência está nos oferecendo uma sequência de surpresas positivas. Nos dá orgulho ver alunos de uma Universidade Federal, agindo de  forma muito diferente do que gera notícia na mídia hoje. Tudo o que presenciamos em nossas reuniões nos deu a certeza de que estamos em um terreno fértil para cultivar excelentes frutos.

É inspirador observar o comprometimento de Thiago Aguiar Maccaferri , Vitor Baumgärtner Eduarda Cristina Kerber e Vinicius Wenzel Rockstroh e a forma como  demonstram maturidade e dedicação na condução da EJEM.  O empenho de todos ao enfrentar  desafios com coragem e inteligência  para adequar a empresa às novas exigências do mercado e às necessidades dos estudantes,  enquanto fazem estágio e dão conta das responsabilidades acadêmicas, é admirável.

Estes nossos encontros além de me proporcionar muita realização profissional e pessoal fortalecem a minha hipótese , de que assim como aconteceu comigo, o problema maior não são os jovens com menos de 27 anos,  e sim “ certos velhos de 40”,  que rotulam uma geração inteira, enquanto se vangloriam de seus feitos, “na sua época”.

O que ganhamos quando líderes focam nos dados que falam das características positivas de uma geração mais jovem.

Há muitos diferenciais positivos desta geração, que muitas vezes é negligenciado por líderes, um deles,  é a vontade que sentem de aprender com adultos experientes, ao mesmo tempo em que encontram seu próprio caminho. Vejo jovens inspirando-se em mentores e utilizando essa inspiração como base para traçar uma vida profissional que não sacrifica a qualidade de vida pessoal. Eles encontram tempo para esportes, amigos, namoro e família, demonstrando que equilíbrio não é apenas uma aspiração, mas uma prática.

E quando pessoas mais jovens encontram oportunidades para contribuir e mostrar o seu valor, é surpreendente o resultado que conseguem pela forma corajosa que buscam soluções criativas para as empresas onde atuam. Profissionais como Thiago Henrique Mattos , que além de  sua busca constante por conhecimento, se dedica a colocar o que estuda em prática, elaborando projetos  e propondo soluções que geram economia e prosperidade aos negócios, se tornando reconhecido e valorizado por outros profissionais de sua área,  pelas entregas que realiza .

Outro exemplo é de Maria Lídia que iniciou como jovem aprendiz  na Terral Agricultura e Pecuária S.A.e recebendo oportunidades de crescimento e apoio da liderança sabe direcionar seus talentos  e honrar o desenvolvimento que a empresa lhe proporciona contribuindo com boas ideias para melhorar as atividades que realiza.

Mais do que um elemento de engajamento, clareza e direcionamento, passa a ser uma habilidade essencial para líderes.

É fato que pessoas e profissionais que sentem segurança psicológica  e sabem o que é esperado delas , conseguem colaborar e contribuir mais, não importa a idade.  Não é à toa que o primeiro elemento  essencial para conquistar o  engajamento, segundo a Gallup é “clareza do que esperam de mim”.

E eu tenho percebido que clareza,  tem se tornado cada vez mais  uma necessidade humana básica, do que um elemento de engajamento. Em tempos de enxurrada de informações, dados, conhecimentos, que estressam pela rapidez com que chegam, vejo como quase um instinto de sobrevivência, solicitar clareza e direcionamento.

Por isso, meu conselho para líderes que desejam se destacar alcançando resultados positivos com jovens, é o seguinte: Invista em desenvolver a habilidade de comunicar com clareza o que você e a empresa esperam das pessoas que você lidera. Deixe claro que  você sabe para onde estão indo  e o que é necessário fazer para chegar lá. Desenvolva sua comunicação para transmitir a confiança de quem sabe o que está fazendo. Desenvolva-se como um  líder capaz de servir e guiar os mais jovens.

Minha mensagem para Líderes de Jovens

Se deseja promover o engajamento consistente de pessoas mais jovens, envolva-os em projetos que fazem sentido para eles. Seja em empresas juniores, ações voluntárias, projetos que geram valor para os negócios, ou causas sociais, eles mostram um profundo senso de propósito e desejo genuíno de fazer a diferença.

Assim como qualquer profissional bem sucedido, independente do ano que nasceu, o que promove uma posição de destaque no mercado é ter coragem para empreender não apenas nos negócios, mas também na carreira e nos estudos, e  que o sucesso está intimamente ligado a contribuir com algo maior.

Despertar nos jovens o orgulho em  pertencer, é outra dica valiosa para líderes. Os dados recentes confirmam o que tenho vivenciado. Se você olhar de perto, verá que, ao contrário do clichê de desengajamento, esses jovens buscam organizações que cultivam uma cultura de colaboração, oportunidades de aprendizado constante e pertencimento. Esses elementos coincidem perfeitamente com os fatores de engajamento destacados pela Gallup que têm atravessado gerações: clareza de expectativas, reconhecimento, oportunidades de desenvolvimento e conexão com a missão da empresa.

O que percebo, então, não é um problema geracional, mas uma evolução cultural. Empresas que desejam engajar a Geração Z precisam compreender suas motivações e oferecer um ambiente que promova crescimento, aprendizado e equilíbrio. Quando isso acontece, esses jovens respondem com dedicação, inovação e resultados extraordinários.

A Geração Z não é “desengajada” ou “desinteressada”. Eles são, sim, reflexo de um mundo em transformação, onde o trabalho é uma extensão do propósito de vida. Ao oferecer a eles espaço para aprender, criar e encontrar equilíbrio, permitimos que sua energia e talento floresçam. E, ao fazer isso, não apenas transformamos suas trajetórias, mas também o futuro das organizações e da sociedade como um todo.

Que possamos, juntos, abandonar os rótulos e abraçar o potencial dessa geração incrível.

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